16 de Outubro de 2026

As autoridades moçambicanas alertaram para o risco de inundações na bacia do rio Maputo, na sequência de descargas programadas na barragem de Pongolapoort, localizada na província sul-africana de KwaZulu-Natal. A operação deverá começar a 2 de Novembro de 2026 e poderá aumentar o caudal do rio, colocando comunidades ribeirinhas e áreas agrícolas em situação de risco.

O aviso da Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH) chama a atenção para possíveis impactos no distrito de Matutuíne, na província de Maputo. Para os agricultores que cultivam nas margens do rio, a prioridade é identificar as áreas vulneráveis, preparar medidas preventivas e acompanhar as actualizações das autoridades antes que a subida das águas comprometa a produção.

Barragem sul-africana prevê descargas de água em Novembro

Segundo as informações divulgadas pela DNGRH, a barragem de Pongolapoort, também conhecida como barragem de Jozini, deverá iniciar as descargas a 2 de Novembro. A operação prevê um caudal máximo de 700 metros cúbicos por segundo até 8 de Novembro, com o objectivo de reabastecer os reservatórios das planícies adjacentes.

A libertação de água deverá aumentar o caudal do rio Maputo, que recebe águas provenientes de territórios vizinhos antes de atravessar zonas do Sul de Moçambique. O fenómeno exige acompanhamento hidrológico, uma vez que a evolução dos níveis de água poderá variar conforme as condições verificadas ao longo da bacia.

Três zonas de Moçambique sob atenção das autoridades

A DNGRH identifica Catuane, Salamanga e Tinonganine, no distrito de Matutuíne, entre as zonas que poderão ser afectadas pela subida das águas. Na estação hidrométrica de Madubula, situada em Catuane, o nível do rio poderá ultrapassar em dois metros o nível de alerta a partir de 13 de Novembro, segundo as projecções divulgadas.

Entre os impactos possíveis estão inundações de campos agrícolas ribeirinhos e condicionamentos da circulação rodoviária. A extensão dos danos dependerá da evolução dos caudais e das condições locais, pelo que os residentes devem acompanhar os avisos oficiais e evitar deslocações por zonas inundadas.

Machambas em risco: o que os agricultores devem fazer

Para os produtores agrícolas, a subida do nível do rio pode representar uma ameaça às culturas em desenvolvimento, aos sistemas de irrigação, aos equipamentos e aos caminhos utilizados para transportar a produção. Uma inundação também pode atrasar as operações agrícolas e dificultar o acesso aos mercados, sobretudo quando as estradas ficam temporariamente intransitáveis.

A DNGRH recomenda que os agricultores identifiquem antecipadamente as machambas localizadas em áreas de risco, antecipem as colheitas que possam ser realizadas em segurança e adiem novas sementeiras nas zonas susceptíveis a inundações. Estas medidas devem ser avaliadas de acordo com o estado das culturas e as condições reais do terreno, sem colocar trabalhadores em perigo.

Como proteger a produção agrícola antes da subida das águas

Os produtores podem começar por identificar as parcelas mais baixas, os pontos de entrada de água e as vias de acesso que poderão ficar cortadas. Também é prudente proteger sementes, fertilizantes, ferramentas e equipamentos, guardando-os em locais seguros e elevados, sempre que possível.

Quando houver tempo e condições seguras, os agricultores devem registar o estado das culturas e dos equipamentos, organizar os contactos de emergência e combinar formas de comunicação com outros membros da comunidade. Não se deve atravessar o rio nem circular por estradas cobertas de água para tentar salvar bens ou concluir uma colheita.

Risco de cheias exige atenção às comunidades ribeirinhas

As descargas programadas não significam que todas as localidades serão inundadas, mas constituem um motivo para reforçar a preparação nas zonas identificadas pelas autoridades. A subida do caudal pode tornar travessias habituais perigosas e dificultar a circulação de pessoas, veículos e mercadorias.

A DNGRH aconselha as comunidades a evitar a travessia do leito do rio e a redobrar os cuidados nas estradas das áreas potencialmente afectadas. Os residentes devem acompanhar os boletins hidrológicos e cumprir as orientações das entidades competentes, dando prioridade à protecção da vida humana.

O que os produtores devem acompanhar nos próximos dias

Até ao início das descargas e durante a operação, é importante acompanhar os comunicados da DNGRH e das autoridades locais. Alterações nas previsões, nos caudais ou nas condições meteorológicas podem modificar o nível de risco e exigir novas medidas de prevenção.

Para os agricultores de Matutuíne, a preparação antecipada pode ajudar a reduzir perdas evitáveis. Identificar as machambas vulneráveis, proteger os insumos e planear as actividades agrícolas com prudência são medidas essenciais enquanto se aguarda informação actualizada sobre a evolução do rio Maputo.

Contudo, as descargas previstas na barragem de Pongolapoort colocam a bacia do rio Maputo sob risco moderado de inundações em Novembro. Embora não seja possível antecipar com certeza a extensão dos impactos, a prevenção é fundamental para proteger as comunidades, as estradas e a produção agrícola no Sul de Moçambique.

Fontes:

RTP Notícias

Jornal Domingo