Resposta rápida

Para melhorar a fertilidade do solo e acertar na adubação do milho, faça primeiro a análise do solo, corrija a acidez se existir e só depois calcule o adubo. Para o milho em terras abaixo dos 900 metros de altitude, o capítulo do IIAM sobre uso óptimo de fertilizantes aponta entre 58 kg de nitrogénio (N) por hectare, como recomendação corrente, e 90 kg, como dose economicamente óptima com adubo a preço subsidiado (referência de 2016), mais cerca de 11 a 14 kg de fósforo (P). Com ureia e NPK 12-24-12, a dose mais alta equivale a cerca de 134 kg de NPK e 161 kg de ureia por hectare, ou 3,0 g e 3,6 g por planta num espaçamento de 75 × 30 cm.

 

Quem cultiva milho em Moçambique conhece o dilema: o saco de adubo é caro, o milho vende-se barato e ninguém quer deitar dinheiro à terra sem saber se ele volta. Em Angónia, por exemplo, o director do Serviço Distrital de Actividades Económicas reconheceu em Maio de 2026 que um saco de 50 kg de fertilizante custa entre 3 000 e 3 700 meticais, consoante a época agrícola.

O resultado vê-se nos números: o IIAM estima que o uso médio de fertilizantes nas terras agrícolas do país ronda apenas 2 kg por hectare, e que a produtividade média dos cereais fica abaixo de 0,7 toneladas por hectare.

A boa notícia é que gastar menos e colher mais não são objectivos opostos. Neste guia vai aprender a ler a fertilidade da sua terra, a transformar números de laboratório em sacos de adubo, a calcular a dose de ureia e NPK por hectare e por planta, e a cortar custos com composto orgânico, calagem e leguminosas.

Seguimos pela ordem em que as decisões devem ser tomadas: primeiro o solo e a análise, depois o rótulo do saco, a conta passo a passo, o custo real de cada quilo de nitrogénio, o composto e, no fim, um exemplo ilustrativo com números para uma machamba de dois hectares. Se procura uma visão geral dos produtos disponíveis, comece pelo nosso guia de tipos de fertilizantes para cada cultura.

O que é fertilidade do solo e porque decide a sua colheita?

A fertilidade do solo é a capacidade da terra de fornecer às raízes nutrientes, água e um ambiente químico equilibrado. Não se resume à cor da terra: contam o pH, a acidez, o teor de matéria orgânica, o fósforo, o potássio e a textura, isto é, a mistura de areia, limo e argila.

Em Moçambique, os investigadores do IIAM descrevem um quadro concreto: em muitas zonas o pH é moderado, mas o teor de areia é alto e a matéria orgânica é baixa, o que reduz a disponibilidade de nutrientes e a capacidade de reter água. Os solos arenosos cobrem cerca de 28% do território e, na zona de Sofala e da Zambézia, convivem com solos de aluvião, que nos vales de rios como o Zambeze, o Incomáti e o Limpopo são os mais produtivos do país.

Cada colheita retira nutrientes da terra. O IIAM estima que o país perde, em média, 34 kg de N, 6 kg de P e 25 kg de K por hectare e por ano, contando a erosão. Para o milho, um estudo de 1998 (Folmer, Geurts e Francisco), citado pela Universidade Católica de Moçambique, calculou uma extracção anual de 49,7 kg de N, 9,9 kg de P e 36,5 kg de K por hectare. Se esses nutrientes não voltam à terra, a fertilidade desce de ano para ano e a produção desce com ela.

Mesmo assim, poucos repõem. A plataforma de agricultura familiar da FAO publica um estudo do IFPRI que descreve a utilização de fertilizantes como inferior a 5% dos agricultores moçambicanos, e os dados da FAO compilados pelo portal TheGlobalEconomy indicam 15,1 kg de nutrientes por hectare de terra arável em 2023, contra uma média mundial de 153,7 kg.

Adubar bem, portanto, não é gastar mais: é gastar no nutriente que realmente falta. E tudo começa por preparar a terra; se ainda não o fez, veja como preparar o solo em Moçambique.

Como fazer a análise do solo antes de comprar adubo?

A análise do solo é o passo mais barato e o que mais dinheiro poupa, porque mostra o que falta e, igualmente importante, o que já existe em quantidade suficiente. O folheto da Embrapa sobre amostragem de solo resume o método. Siga estes passos:

1.     Divida a machamba em áreas parecidas. Separe zonas com cor, textura, declive ou histórico de cultivo diferentes. Cada área dá uma amostra própria.

2.     Percorra cada área em ziguezague. Recolha 15 a 20 amostras simples por área; é a mistura delas que representa a terra.

3.     Limpe a superfície em cada ponto. Tire folhas, restos de plantas e adubo caído, abra um buraco com paredes verticais e 20 cm de profundidade e corte uma fatia de cerca de 4 cm de espessura, aproveitando só a parte central.

4.     Misture tudo num balde de plástico limpo. Desta mistura, retire 300 a 500 g para um saco de plástico limpo.

5.     Evite locais enganadores. Não colha em zonas com restos de queimada, estrume, formigueiros, caminhos ou onde acabou de cair adubo.

6.     Identifique a amostra. Escreva o nome, o local, a data e a cultura anterior, e junte um breve histórico da área (culturas, adubos e calcário usados).

7.     Entregue ao laboratório. Pergunte no SDAE do seu distrito, no IIAM ou numa universidade com curso de agronomia onde se faz análise de solo e quanto custa; confirme os prazos antes de colher a amostra.

Para culturas anuais como o milho, colhe-se a camada de 0 a 20 cm. Segundo a Embrapa, uma segunda amostra, de 20 a 40 cm, serve para detectar problemas em profundidade, como alumínio tóxico ou falta de cálcio.

Como usar o resultado da análise

Peça ao laboratório quatro informações: pH (e alumínio, se houver acidez), fósforo, potássio e matéria orgânica. As regras do IIAM para decidir ajudam a poupar:

•       Se o fósforo (método Mehlich 3) estiver acima de 18 ppm, não aplique fósforo nesse campo até o valor descer.

•       Se o potássio estiver abaixo de 0,25 cmol/kg (cerca de 100 ppm), aplique potássio mesmo que a recomendação padrão não o inclua.

•       Sem análise, as recomendações do IIAM partem do princípio de que o fósforo é baixo e aplicam as doses padrão, o que pode significar pagar por nutrientes que a sua terra já tem.

•       Se o laboratório indicar acidez, comece pelo calcário. A Embrapa Milho e Sorgo aponta como erro frequente investir em NPK, que é caro, sem antes corrigir a acidez com calcário, que é barato. Veja como corrigir solos ácidos com calagem.

O que significa NPK e como ler o saco de adubo?

As três letras representam os três nutrientes que o milho mais consome: nitrogénio (N), fósforo (P) e potássio (K). Os números no saco são percentagens de N, de P2O5 (óxido de fósforo) e de K2O (óxido de potássio). Assim, um NPK 12-24-12 tem 12% de N, 24% de P2O5 e 12% de K2O. Num saco de 50 kg, isso dá 6 kg de N, 12 kg de P2O5 e 6 kg de K2O.

O nitrogénio alimenta o crescimento das folhas e o vigor da planta; o fósforo é decisivo nas fases iniciais e na formação das raízes; o potássio ajuda a planta a suportar o stresse e a encher o grão.

O capítulo do IIAM nota que, no país, a oferta de fertilizantes se limita geralmente ao NPK 12-24-12 e à ureia. Por isso, as contas deste guia usam apenas esses dois produtos.

Tabela 1. Fertilizantes mais comuns e o que cada saco de 50 kg fornece

Fertilizante N (%) P2O5 (%) K2O (%) Nutrientes por saco de 50 kg Quando usar no milho
Ureia 46 0 0 23 kg de N Cobertura, para dar nitrogénio ao milho em crescimento
NPK 12-24-12 12 24 12 6 kg de N, 12 kg de P2O5 e 6 kg de K2O Adubação de fundo, na sementeira
Superfosfato triplo (TSP) 0 46 0 23 kg de P2O5 Quando a análise mostra falta só de fósforo
Cloreto de potássio (KCl) 0 0 60 30 kg de K2O Quando a análise mostra falta de potássio

Atenção às unidades: as recomendações do IIAM vêm em fósforo e potássio elementares (P e K). Para converter, multiplique o P por 2,29 para obter P2O5 e o K por 1,2 para obter K2O.

Como calcular a dose de adubo para o milho passo a passo?

Para calcular, precisa de três dados: quanto de cada nutriente o milho pede por hectare, quanto desse nutriente tem cada adubo e quantas plantas tem por hectare. Comece pela Tabela 2, com os valores do IIAM para terras abaixo de 900 m de altitude, onde se cultiva a maior parte do milho do país.

Tabela 2. Doses de nutrientes para milho em terras abaixo de 900 m (IIAM/OFRA)

Nutriente Recomendação corrente (kg/ha) Dose económica óptima (kg/ha) Resposta máxima média (t de milho/ha)
Nitrogénio (N) 58 90 1,94
Fósforo (P) 11 14 0,37
Potássio (K) 13 10 0,11

A dose económica óptima foi calculada pelo IIAM com adubo subsidiado a 1 500 MZN por saco de 50 kg e milho a 15 MZN/kg. Com adubo mais caro, como os 3 000 a 3 700 MZN de Angónia, a dose que compensa tende a ser menor.

O cálculo em seis passos

1.     Escolha o nível de dose. Use a recomendação corrente (N 58 e P 11) se o orçamento é curto, ou a dose económica óptima (N 90 e P 14) se pode investir mais. No ensaio da Embrapa e do IIAM em Lichinga, a dose de 101 kg de N por hectare deu a produção máxima económica. Como verificação rápida, a regra usada no Brasil, citada nesse ensaio, é de cerca de 20 kg de N por tonelada de milho esperada: para 4 t/ha, são 80 kg de N.

2.     Converta o fósforo em P2O5. P2O5 = P × 2,29. Para 14 kg de P: 14 × 2,29 = 32,1 kg de P2O5.

3.     Calcule o NPK que dá esse fósforo. NPK = P2O5 ÷ 0,24. Para 32,1 kg: 32,1 ÷ 0,24 = 133,6 kg, ou seja, 134 kg de NPK 12-24-12.

4.     Desconte o nitrogénio que veio no NPK. N do NPK = NPK × 0,12. Para 134 kg: 134 × 0,12 = 16,0 kg de N.

5.     Complete o nitrogénio com ureia. Ureia = (N alvo menos N do NPK) ÷ 0,46. Para um N alvo de 90: (90 − 16,0) ÷ 0,46 = 161 kg de ureia.

6.     Converta em sacos e em gramas por planta. Sacos = kg ÷ 50. Plantas por hectare = 10 000 ÷ (distância entre linhas × distância entre plantas). A 75 × 30 cm: 10 000 ÷ (0,75 × 0,30) = 44 444 plantas. Gramas por planta = kg × 1 000 ÷ 44 444.

Tabela 3. Plano de adubo por hectare em três cenários (milho a 75 × 30 cm)

Cenário NPK 12-24-12 (kg) Ureia (kg) Sacos de 50 kg (NPK + ureia) Por planta (g de NPK + g de ureia) Custo (MZN/ha)
A. Dose corrente (N 58 e P 11) 105 99 2,1 + 2,0 2,4 + 2,2 12 200 a 15 100
B. Dose económica (N 90 e P 14) 134 161 2,7 + 3,2 3,0 + 3,6 17 700 a 21 800
C. Só ureia (P e K suficientes; N 90) 0 196 0 + 3,9 0 + 4,4 11 700 a 14 500

Custos ilustrativos, calculados entre 3 000 e 3 700 MZN por saco de 50 kg, o intervalo indicado em Angónia em Maio de 2026; troque pelo preço da sua loja. Arredonde para o saco inteiro só na compra; na aplicação, siga os gramas por planta. Os valores são médias de ensaios e variam com o solo, a chuva e a variedade: confirme com o extensionista do seu distrito.

Quando e como aplicar NPK e ureia no milho?

Comparação entre um saco de ureia e um saco de NPK 12-24-12 com as percentagens de nutrientes

O adubo só rende se chegar à planta na altura certa. Os ensaios consultados apontam para uma regra simples:

•       NPK à sementeira, colocado no sulco ou na cova, ao lado e abaixo da semente, sem lhe tocar. No ensaio de Lichinga, o fósforo e o potássio foram espalhados à superfície e o aproveitamento foi pior; os autores recomendam aplicá-los no sulco, abaixo das sementes, porque o fósforo se move pouco em solos argilosos.

•       Ureia em cobertura, dividida em duas aplicações. Em Lichinga, a ureia foi aplicada por volta dos 30 e dos 60 dias após a sementeira; no estudo da UCM, em Cuamba, metade do nitrogénio foi aplicada à sementeira e metade aos 46 dias.

•       Com humidade no solo. Em Cuamba, a falta de chuva na floração e no enchimento do grão (Março e Abril) limitou a colheita, apesar do adubo. Aplique a cobertura quando o solo está húmido e há chuva provável nos dias seguintes.

•       Ao lado da planta, a alguns centímetros do pé, cobrindo com um pouco de terra, e nunca em contacto com folhas ou com a semente.

 

Truque do IIAM: calibre a mão com uma tampa de garrafa

O IIAM usou uma tampa de garrafa de 8 ml como medida: cabem nela cerca de 8 g de NPK ou 5,6 g de ureia. No cenário B (3,0 g de NPK à sementeira e 1,8 g de ureia em cada cobertura), uma tampa de NPK serve para 2 a 3 plantas e uma tampa de ureia para cerca de 3 plantas. Pese a sua própria tampa numa balança para confirmar, porque as tampas variam.

Para o calendário completo, veja as épocas de aplicação dos fertilizantes.

Quanto adubo vale a pena pôr? O custo real de cada quilo de nitrogénio

A resposta do milho ao adubo não é uma linha recta. Os primeiros quilos de nitrogénio dão muito milho; os últimos dão pouco. No ensaio de Lichinga, a produtividade máxima física exigiu 178 kg de N por hectare, mas a máxima económica, equivalente a 90% desse máximo, ficou-se pelos 101 kg.

Com os ganhos médios do IIAM para terras abaixo de 900 m e o saco de ureia entre 3 000 e 3 700 MZN (cada saco de 50 kg dá 23 kg de N, ou seja, entre 130 e 161 MZN por quilo de N), obtém-se o seguinte:

Tabela 4. Quanto custa cada passo de 30 kg de N e quanto o milho tem de valer

Passo de N (kg/ha) Ganho médio (kg de milho/ha) Custo do passo (MZN/ha) Preço mínimo do milho para compensar (MZN/kg)
0 a 30 1 088 3 900 a 4 800 3,6 a 4,4
30 a 60 478 3 900 a 4 800 8,2 a 10,1
60 a 90 211 3 900 a 4 800 18,5 a 22,9
90 a 120 93 3 900 a 4 800 42,1 a 51,9

Preço mínimo do milho = custo do passo ÷ ganho em kg. Cada passo de 30 kg de N equivale a 1,3 sacos de ureia (30 ÷ 23). Ganhos médios do IIAM (função de resposta para terras abaixo de 900 m); não incluem mão-de-obra nem risco.

Compare a última coluna com o preço a que vende o milho na sua zona. Se o seu milho vale menos de 18,5 a 22,9 MZN/kg, o passo dos 60 aos 90 kg de N já não paga, e o dos 90 aos 120 kg exigiria mais de 42 MZN/kg. É por isso que a dose económica é menor do que a dose de máxima produção e que, com adubo caro, a faixa sensata se situa entre 58 e 90 kg de N.

Há ainda o risco da chuva: no estudo da UCM, a seca na floração anulou parte do efeito do adubo. Por isso, o IIAM aconselha quem tem dinheiro limitado a espalhar doses mais baixas por mais campos, em vez de concentrar tudo num só, porque assim nem todas as culturas falham ao mesmo tempo.

Como reduzir custos de adubação sem perder produção?

1.     Pague só pelo que falta. Com a análise do solo, pode dispensar o fósforo onde ele já é suficiente: o cenário C da Tabela 3 poupa o NPK inteiro.

2.     Corrija a acidez com calcário. No ensaio de Lichinga, cada quilo de calcário aplicado rendeu 0,44 kg de milho a mais, e os autores sublinham que o calcário é um insumo mais barato do que os fertilizantes, pelo que a calagem compensa muito.

3.     Use leguminosas. O IIAM calcula que incorporar cedo um adubo verde de leguminosa (mucuna, crotalária ou lablab) permite reduzir cerca de 57 kg de ureia por hectare, e que consorciar o cereal com outra leguminosa eficaz na fixação de azoto permite reduzir cerca de 30 kg de ureia, aumentando ligeiramente o fósforo. Veja a consorciação de culturas.

4.     Aproveite o estrume. Segundo a mesma tabela do IIAM, cada tonelada de estrume seco de aves ou de gado leiteiro substitui cerca de 24 kg de ureia. O estrume de curral exposto ao tempo vale muito menos: cerca de 2 kg de ureia por tonelada.

5.     Aplique localizado. Dar a dose planta a planta, em cova ou sulco, com a medida calibrada, evita gastar adubo no meio das ervas daninhas e nos corredores.

6.     Não pague por micronutrientes sem prova. Nos ensaios do IIAM em milho, sorgo e soja, a mistura com magnésio, zinco e boro não rendeu mais do que N, P e enxofre: o ganho médio nos cereais foi de 1%, sem diferença significativa em relação a zero.

Como fazer composto orgânico em casa, passo a passo?

Agricultor a testar a humidade de uma pilha de composto orgânico feita com palha de milho e estrume

O composto orgânico é a forma mais barata de devolver matéria orgânica a solos arenosos, que a perdem depressa. Segundo o manual Horticultura em Moçambique, da Embrapa, ele melhora a estrutura do solo, a retenção e a drenagem da água e a vida do solo, e liberta os nutrientes de forma lenta e gradual, ao contrário dos adubos solúveis. Se quer comparar as duas opções em detalhe, leia adubo orgânico ou químico.

Receita base

O manual indica duas misturas simples: 75% de restos vegetais diversos e 25% de estrume, ou 75% de palhada de milho e 25% de palhada de feijão. O objectivo é uma relação carbono/azoto de cerca de 30 para 1: os materiais secos e castanhos (capim seco, palha, folhas, serradura) fornecem carbono; o estrume, os adubos verdes e a palhada de leguminosas fornecem azoto.

1.     Escolha o local. Seco, arejado, plano e, se possível, coberto.

2.     Prepare os materiais. Corte os pedaços grandes: nem demasiado pequenos, que compactam, nem demasiado grossos, que deixam passar ar a mais.

3.     Monte a pilha. Faça camadas ou misture tudo. Se tiver um pouco de composto de 30 a 40 dias, junte-o: funciona como inoculante e acelera o processo.

4.     Acerte a humidade, perto dos 55%. Aperte um punhado na mão: se não sair água, está seco e deve humedecer; se saírem algumas gotas entre os dedos, está certo; se escorrer água pelo braço, está encharcado.

5.     Vigie a temperatura. Não deve passar os 65 graus Celsius. Espete um ferro de construção no centro do monte: quando já não consegue segurá-lo na mão, é hora de revirar.

6.     Revire a pilha aos 15, 30, 45 e 60 dias, expondo todo o material ao ar e acertando a humidade.

7.     Deixe descansar 30 dias antes de usar.

8.     Aplique. O composto fica pronto em cerca de 3 meses. O manual dá 1 a 3 kg por metro quadrado de canteiro para hortícolas. Para o milho não indica dose; na prática, aplique-o na cova ou no sulco, como complemento e não como substituto total do adubo mineral.

Se tem pressa, o mesmo manual descreve o bokashi, uma mistura de farelos fermentada que fica pronta em cerca de 10 dias e se aplica na dose de 100 a 500 g por metro quadrado de canteiro.

O que dizem os ensaios: no regadio do Chókwè, um ensaio com arroz aplicou o equivalente a 100 kg de N por hectare e concluiu que misturar ureia com estrume (de bovinos ou de aves) rendeu mais do que usar só ureia ou só estrume. É uma pista útil para o milho, embora o ensaio seja com outra cultura: combinar costuma ser melhor do que escolher um só lado.

Tabela 5. Composto orgânico e adubo mineral lado a lado

Critério Composto orgânico Adubo mineral (ureia e NPK)
Velocidade de acção Lenta e gradual Rápida
Concentração de nutrientes Baixa: exige toneladas por hectare Alta: poucos quilos por hectare
Efeito na estrutura e na água do solo Forte: melhora a retenção, a drenagem e a vida do solo Praticamente nulo
Custo em dinheiro Baixo: usa restos da própria machamba Alto: 3 000 a 3 700 MZN por saco de 50 kg em Angónia, em 2026
Mão-de-obra Elevada: montar, revirar e transportar Baixa
Melhor uso Construir a fertilidade ao longo dos anos Dar o nutriente certo no momento certo

Exemplo ilustrativo: a machamba de 2 hectares do senhor Alberto

Atenção: caso hipotético

O exemplo abaixo foi criado só para mostrar a conta. O senhor Alberto é uma personagem fictícia e os resultados de laboratório são suposições; não se trata de um depoimento real.

Imagine o senhor Alberto, um produtor fictício com 2 hectares de milho, divididos em dois talhões de 1 hectare, num solo arenoso da zona de Sofala, a plantar a 75 × 30 cm. Sem análise, planeia comprar 12 sacos de adubo, 6 de NPK 12-24-12 e 6 de ureia, "para garantir". A 3 000 MZN por saco, são 36 000 MZN.

Antes da compra, recolhe uma amostra por talhão, como explicámos na secção da análise do solo. Suponha que o laboratório indica fósforo acima de 18 ppm no talhão 1 e fósforo baixo no talhão 2. Aplicando as regras do IIAM, o plano muda:

Tabela 6. Plano hipotético do senhor Alberto (preço ilustrativo de 3 000 MZN por saco)

Talhão Decisão Sacos de 50 kg Custo (MZN)
Talhão 1 (1 ha) Só ureia, 196 kg (fósforo suficiente, sem NPK) 3,9 11 700
Talhão 2 (1 ha) NPK 134 kg + ureia 161 kg 5,9 17 700
Total com análise Dose de N de 90 kg/ha nos dois talhões 9,8 29 400
Plano inicial, sem análise 6 sacos de NPK + 6 de ureia 12,0 36 000
Diferença Poupança com a análise (cerca de 18%) 2,2 6 600

Com a análise, o senhor Alberto gasta cerca de 18% menos e aplica a dose de N de 90 kg/ha nos dois talhões. Na campanha seguinte, se plantar mucuna e a incorporar cedo, pode ainda cortar cerca de 57 kg de ureia por hectare, mais de um saco por hectare. Para as outras fases da cultura, como a escolha da variedade e a sementeira, consulte o guia de produção de milho em Moçambique.

Erros comuns que desperdiçam adubo

•       Comprar NPK sem análise do solo e sem verificar a acidez.

•       Pôr toda a ureia de uma vez, na sementeira, em vez de a dividir em coberturas.

•       Aplicar à superfície, em solo seco, sem chuva à vista.

•       Aumentar a dose acima do ponto em que o retorno já não paga o saco (Tabela 4).

•       Esquecer a matéria orgânica: em solos arenosos pobres em matéria orgânica, os nutrientes ficam menos disponíveis e a terra retém menos água.

Perguntas frequentes sobre adubação do milho

Quantos sacos de ureia por hectare são precisos no milho?

Nos cenários deste guia, entre 99 e 196 kg por hectare, ou seja, de 2 a 4 sacos de 50 kg, consoante a dose de N escolhida e o uso ou não de NPK à sementeira. A dose exacta depende da análise do solo e do preço do saco.

Qual é o melhor NPK para milho?

O mais disponível no país é o NPK 12-24-12, e os ensaios de Lichinga usaram precisamente essa fórmula. O mais importante é a dose, e não a marca: o milho responde sobretudo ao nitrogénio e, depois, ao fósforo.

Posso adubar o milho só com composto orgânico?

Pode melhorar o solo, mas o composto é pouco concentrado. Pela tabela do IIAM, uma tonelada de estrume seco de aves substitui cerca de 24 kg de ureia, de modo que, para trocar 100 kg de ureia, seriam precisas cerca de 4 toneladas por hectare. Por isso, a melhor aposta costuma ser combinar composto e adubo mineral.

Preciso mesmo de análise do solo?

Sem análise, as recomendações assumem fósforo baixo e podem fazê-lo pagar por NPK de que não precisa, além de não detectarem acidez. A Embrapa descreve a análise como um procedimento de baixo custo; confirme o preço no laboratório da sua zona e compare-o com o de um saco de adubo.

Conclusão

Melhorar a fertilidade do solo é uma sequência, e não um saco: analisar, corrigir a acidez, fazer a conta, aplicar na altura certa e devolver matéria orgânica à terra. Cada passo corta desperdício, e cada quilo de nutriente passa a ter um destino claro.

Antes da próxima campanha, já sabe como recolher a amostra, como converter a recomendação em sacos e quanto vale cada passo de nitrogénio. Partilhe este guia com o seu grupo de produtores e diga-nos: qual será o seu primeiro passo nesta campanha, recolher a amostra de solo ou montar a pilha de composto?