O Governo moçambicano defende medidas para valorizar a batata-reno produzida no país, proteger os agricultores e reforçar a soberania alimentar. A proposta prevê dar prioridade à produção nacional e recorrer às importações quando a oferta interna não for suficiente para satisfazer a procura.
O Governo de Moçambique pretende reforçar a comercialização e o consumo da batata-reno nacional, criando condições para que os produtores locais consigam competir no mercado e recuperar os investimentos realizados na agricultura.
A posição foi apresentada na quarta-feira, 21 de Outubro, pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, durante uma visita de trabalho à exploração agrícola Horta Boa, localizada no distrito de Moamba, província de Maputo.
Durante a visita, o governante acompanhou a colheita de batata-reno numa área de 100 hectares, integrada numa iniciativa privada com uma meta de produção de 5.000 toneladas. A exploração emprega cerca de 400 trabalhadores, dos quais 120 estão directamente envolvidos nas actividades de colheita.
A produção de batata-reno representa uma oportunidade para gerar emprego, abastecer os mercados nacionais e contribuir para a segurança alimentar e nutricional das famílias moçambicanas.
Governo quer priorizar a batata-reno produzida em Moçambique
Para proteger os produtores nacionais, Roberto Mito Albino defendeu a adopção de mecanismos de gestão do mercado que permitam dar preferência à batata-reno produzida localmente. Segundo a posição apresentada, as importações deverão ser utilizadas para complementar a oferta interna quando a produção nacional não conseguir responder às necessidades do mercado.
“Temos de encontrar uma forma de gerir o mercado para que, de facto, o produto nacional tenha prioridade”, afirmou o ministro, reiterando o compromisso do Governo com o desenvolvimento da agricultura moçambicana.
A medida procura criar melhores oportunidades de comercialização para os agricultores nacionais, sobretudo num contexto em que a concorrência com produtos importados pode dificultar a venda da produção local.
Contudo, a concretização desta intenção dependerá da capacidade de garantir fornecimento regular, qualidade adequada e uma distribuição eficiente da batata-reno produzida no país.
Produtores poderão apresentar os principais obstáculos do sector
O ministro anunciou igualmente a intenção de reunir com os produtores para identificar os constrangimentos que limitam a sua actividade e avaliar possíveis soluções através da intervenção governamental.
O objectivo é melhorar as condições de produção, incentivar novos investimentos e permitir que os agricultores aumentem a oferta de batata-reno para responder às necessidades dos consumidores.
Albino destacou que o crescimento da produção nacional é fundamental para reduzir a dependência externa e fortalecer a capacidade de Moçambique para satisfazer as suas próprias necessidades alimentares.
“Vamos reunir-nos com os produtores para voltar a incentivá-los a continuar a investir na produção, porque só assim poderemos alcançar a nossa soberania alimentar”, declarou.
Horta Boa considera que existe mercado para a produção nacional
Vieira Lino, representante da exploração agrícola Horta Boa, considera que a procura no mercado moçambicano é suficiente para absorver a batata-reno produzida localmente.
No entanto, defendeu a necessidade de melhorar os mecanismos de distribuição e comercialização, de modo a garantir que os agricultores consigam vender a sua produção e obter um retorno adequado dos investimentos realizados.
A questão da distribuição é particularmente importante para a rentabilidade agrícola, uma vez que produzir em quantidade não garante, por si só, que os tubérculos cheguem aos consumidores em condições competitivas.
Uma ligação mais eficiente entre os campos de produção, os comerciantes e os mercados poderá ajudar a reduzir perdas, melhorar o escoamento e criar maior previsibilidade para os agricultores.
O que muda para a agricultura moçambicana?
A intenção de dar prioridade à batata-reno nacional coloca em evidência um desafio central da agricultura moçambicana: transformar a capacidade de produção local em abastecimento regular e oportunidades económicas para os agricultores.
Se forem acompanhadas por medidas eficazes de apoio à produção e à comercialização, as iniciativas anunciadas poderão contribuir para fortalecer o sector, criar emprego e reduzir a necessidade de recorrer a produtos importados quando existe oferta nacional disponível.
O desafio será encontrar um equilíbrio entre a valorização da produção moçambicana, a disponibilidade do produto ao longo do ano e a manutenção de preços acessíveis para os consumidores.
Fonte: Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, Outubro de 2026.
Imagem: Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas
Mais informações: Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas.


