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Maos segurando folhas de amendoim com manchas de cercosporiose

As pragas e doenças do amendoim são responsáveis por perdas de 20 a 50% da produção nas machambas moçambicanas que não aplicam medidas de prevenção.

Lagarta da folha, gorgulho, cercosporiose e ferrugem são os principais inimigos desta cultura — mas todos têm solução quando identificados a tempo.

Se já perdeu uma campanha de amendoim para doenças ou pragas sem saber exactamente o que atacou as suas plantas, este guia foi escrito para si. Saber identificar o problema é o primeiro passo para o resolver.

Neste guia completo sobre pragas e doenças do amendoim em Moçambique vai aprender a identificar cada problema pelos sintomas visuais, a distinguir ataque de praga de doença fúngica, e a aplicar o controlo mais eficaz — químico, biológico ou cultural — com o menor custo possível.

O controlo integrado de pragas e doenças do amendoim pode reduzir as perdas para menos de 5% e aumentar a produtividade em 30 a 60% face ao cultivo sem qualquer controlo fitossanitário.


Como Identificar Problemas no Amendoim: Praga ou Doença?

Distinguir um ataque de praga de uma doença fúngica ou bacteriana é fundamental para escolher o produto certo. Aplicar inseticida numa doença fúngica — ou fungicida numa praga — não resolve nada e desperdiça dinheiro.

Sinais de ataque de praga

  • Folhas roídas ou com orifícios: lagartas ou insectos mastigadores — inspecione o verso das folhas e o solo à volta das plantas ao amanhecer.
  • Folhas enroladas ou deformadas: pulgões ou trips — verifique a face inferior das folhas com lupa.
  • Plantas murchas sem razão aparente: insectos do solo ou nematódes — arrange uma planta e inspecione as raízes.
  • Vagens com galerias: gorgulho ou larvas — corte as vagens afectadas e procure larvas ou adultos.

Sinais de doença fúngica ou bacteriana

  • Manchas nas folhas com halo: tipicamente doenças fúngicas como cercosporiose ou ferrugem.
  • Pó ou mofo visível: fungos — oídio (pó branco) ou botrytis (mofo cinzento).
  • Amarelecimento generalizado: pode ser doença viral, deficiência nutricional ou problema de raiz.
  • Podridão na base ou nas raízes: fungos do solo como Sclerotium ou Pythium.

Principais Pragas do Amendoim em Moçambique

Principais pragas do amendoim em Moçambique e controlo

PragaSintoma principalControlo recomendado
Lagarta da folha (Spodoptera sp.)Desfolha intensa, orifícios nas folhasBt biológico ou inseticida sistémico
Gorgulho do amendoim (Cylas sp.)Galerias nas vagens, qualidade reduzidaCamalhões altos, colheita atempada
Pulgões (afídeos)Folhas enroladas, pegajosas, transmissão de vírusCalda de sabão ou inseticida sistémico
Trips (Frankliniella sp.)Manchas prateadas, deformação foliarInseticida sistémico, evitar excesso N
Ácaro rajado (Tetranychus sp.)Bronzeamento foliar em época secaAcaricida específico + rega
Larvas de solo (Agrotis sp.)Plantas cortadas rente ao soloInseticida granulado no solo
NematódesRaízes com nódulos, planta atrofiadaRotação de culturas + M.O.
RoedoresVagens consumidas no soloArmadilhas e rodenticidas

Lagarta da folha — a praga mais destrutiva do amendoim

A Spodoptera frugiperda e a Spodoptera exigua são as lagartas mais comuns no amendoim em Moçambique. Atacam preferencialmente de noite — durante o dia escondem-se no solo à volta das plantas. Os danos podem ser severos em 3 a 5 dias se não forem controlados rapidamente.

  • Monitorização: inspecionar de manhã cedo — as larvas jovens (verdes, pequenas) estão ainda nas folhas; as larvas maiores já estão no solo durante o dia.
  • Controlo biológico: Bacillus thuringiensis (Bt) é muito eficaz nas fases larvares iniciais — aplicar ao final da tarde.
  • Controlo químico: lambda-cialotrina ou clorpirifos em caso de infestação elevada — rodar princípios activos para evitar resistência.

Gorgulho do amendoim — o inimigo das vagens

O gorgulho (Cylas formicarius) é uma das pragas mais difíceis de controlar porque ataca as vagens dentro do solo, onde os pesticidas foliares não chegam. A prevenção é muito mais eficaz do que o tratamento.

vagem de amendoim com galeria de gorgulho

  • Prevenção: fazer camalhões altos (20 a 25 cm) — dificulta o acesso do gorgulho às vagens em desenvolvimento.
  • Colheita atempada: colher logo que as vagens estejam maduras — não deixar no solo após a maturação.
  • Rotação de culturas: não plantar amendoim no mesmo campo 2 anos consecutivos — quebra o ciclo do gorgulho.

Principais Doenças do Amendoim em Moçambique

Principais doenças do amendoim e controlo em Moçambique

DoençaSintoma principalControlo recomendado
Cercosporiose precoce (Cercospora arachidicola)Manchas castanhas com halo amarelo na face superiorFungicida mancozebe ou oxicloreto de cobre
Cercosporiose tardia (Cercosporidium personatum)Manchas escuras na face inferior, desfolha precoceFungicida sistémico + rotação
Ferrugem (Puccinia arachidis)Pústulas alaranjadas na face inferior das folhasFungicida triazol ou mancozebe
Podridão da coroa (Sclerotium rolfsii)Apodrecimento da base do caule, morte da plantaFungicida no solo + drenagem
Podridão das raízes (Pythium sp.)Raízes apodrecidas, planta murchaSolo bem drenado, fungicida preventivo
Roseta viral (GPRSV)Mosaico, nanismo, folhas deformadasControlar pulgões vectores; sem tratamento
Mancha foliar tardia (Late leaf spot)Manchas escuras, desfolha severaFungicidas preventivos, variedades resistentes

Cercosporiose — a doença mais comum do amendoim em Moçambique

A cercosporiose — tanto a precoce como a tardia — é a doença fúngica mais prevalente no amendoim em Moçambique. Em anos húmidos, pode causar desfolha de 50 a 80% das folhas antes da maturação das vagens, reduzindo drasticamente a produção.

  • Identificação: manchas foliares com halo amarelo (cercosporiose precoce) ou manchas escuras sem halo na face inferior (cercosporiose tardia).
  • Condições favoráveis: humidade elevada, chuvas frequentes e temperaturas de 25 a 30°C — condições típicas da época chuvosa em Moçambique.
  • Controlo: iniciar fungicidas preventivos 30 a 40 dias após a emergência, mesmo sem sintomas visíveis. Mancozebe (2 kg/ha) ou oxicloreto de cobre a cada 14 dias.

Ferrugem do amendoim

A ferrugem é reconhecível pelas pústulas alaranjadas ou castanhas na face inferior das folhas. Em ataques severos, as folhas ficam completamente cobertas de pústulas e caem prematuramente — reduzindo a fotossíntese e o enchimento das vagens.

pústulas alaranjadas na face inferior de folha de amendoim

  • Controlo: fungicidas triazóis (tebuconazol, propiconazol) são muito eficazes — aplicar aos primeiros sintomas.
  • Variedades resistentes: a variedade Tatu tem boa resistência à ferrugem — um dos factores que a torna muito recomendada em Moçambique.

Aflatoxina no Amendoim: o Risco Mais Grave em Moçambique

A aflatoxina é produzida pelo fungo Aspergillus flavus e é o maior risco de saúde pública e de qualidade comercial associado ao amendoim em Moçambique

O amendoim contaminado com aflatoxina acima dos limites legais é rejeitado pelos mercados de exportação e prejudicial à saúde — podendo causar hepatite tóxica e cancro do fígado com exposição crónica.

amendoim contaminado com mofo

Quando ocorre a contaminação por aflatoxina

  • Colheita tardia: vagens que ficam no solo húmido após a maturação são colonizadas rapidamente pelo fungo.
  • Secagem lenta ou inadequada: amendoim mal seco (humidade acima de 9%) favorece o crescimento do fungo.
  • Dano por insectos: vagens danificadas por gorgulho ou outros insectos são mais vulneráveis à colonização por Aspergillus.
  • Armazenamento húmido: armazenar amendoim com humidade elevada ou em local sem ventilação é a principal causa de contaminação pós-colheita.

Como prevenir a aflatoxina no amendoim

  • Colher na maturação correcta: não atrasar a colheita além do ponto de maturação das vagens.
  • Secar rapidamente: após a colheita, secar as vagens ao sol em camada fina até atingir humidade abaixo de 9%.
  • Armazenar correctamente: sacos herméticos ou silos secos e arejados, longe do chão.
  • Usar variedades resistentes: algumas variedades melhoradas têm maior resistência ao Aspergillus — consultar o IIAM.

️ Alerta aflatoxina para exportadores:

O limite máximo de aflatoxina aceitável na União Europeia é de 4 ppb (partes por bilião) para amendoim de consumo directo. O amendoim moçambicano tem sido rejeitado em mercados internacionais por exceder estes limites. A prevenção começa no campo — colheita atempada e secagem rápida são as medidas mais eficazes.

Tabela de Identificação Rápida de Pragas e Doenças do Amendoim

Identificação rápida por sintoma — amendoim

Sintoma observadoCausa provávelAcção imediata
Folhas roídas, orifícios irregularesLagarta (Spodoptera)Aplicar Bt ou inseticida ao anoitecer
Manchas castanhas com halo amareloCercosporiose precoceFungicida mancozebe preventivo
Pústulas alaranjadas na face inferiorFerrugem (Puccinia)Fungicida triazol imediatamente
Folhas enroladas, pegajosasPulgões (afídeos)Calda de sabão ou inseticida sistémico
Base da planta apodrecidaSclerotium rolfsiiMelhorar drenagem; fungicida solo
Planta atrofiada, raízes com nódulos anormaisNematódesRotação de culturas; M.O.
Vagens com galerias internasGorgulho (Cylas)Colheita imediata; camalhões altos
Mosaico foliar, nanismoVírus da roseta (GPRSV)Controlar pulgões; sem cura

Métodos de Controlo: Químico, Biológico e Cultural

Agricultor na aplicação de fungicida no amendoim

Controlo cultural — a base da prevenção

  • Rotação de culturas: alternnar amendoim com milho ou sorgo quebra os ciclos de pragas e doenças específicas do amendoim. Nunca plantar amendoim no mesmo campo 2 anos consecutivos.
  • Variedades resistentes: usar variedades como Tatu (resistente à ferrugem e cercosporiose) reduz drasticamente a pressão de doenças sem custos de fungicida.
  • Sementes certificadas e tratadas: sementes tratadas com fungicida protegem a germinação contra podridões do colo.
  • Época de plantio correcta: plantar no início das chuvas evita que a floração e o enchimento das vagens coincidam com os períodos de maior humidade e pressão de doenças.
  • Destruição de restos culturais: incorporar ou queimar os restos da campanha anterior elimina inóculo de doenças fúngicas e refúgios de pragas.

Controlo biológico

  • Bacillus thuringiensis (Bt): eficaz contra lagartas nas fases iniciais — aplicar ao final da tarde quando as larvas estão activas.
  • Fungos entomopatogénicos: Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae controlam gorgulho e larvas de solo.
  • Conservar inimigos naturais: joaninhas, vespas parasitóides e aranhas controlam pulgões e lagartas — evitar inseticidas de largo espectro que os eliminam.

Controlo químico — guia de produtos

Produtos para controlo de pragas e doenças do amendoim

ProblemaProduto recomendadoDose/ha
Lagartas (Spodoptera)Lambda-cialotrina ou clorpirifosConforme rótulo
Pulgões e tripsImidaclopride (sistémico)Conforme rótulo
Ácaro rajadoAbamectina (acaricida)Conforme rótulo
CercosporioseMancozebe 80% PM2,0 kg/ha a cada 14 dias
FerrugemTebuconazol ou propiconazolConforme rótulo
Podridão do coloMetalaxil + mancozebeTratamento de semente

Calendário de Monitorização e Controlo Preventivo do Amendoim

Calendário de controlo fitossanitário do amendoim
Fase da culturaDias após emergênciaAcção recomendada
Emergência e estabelecimento0–20 diasMonitorizar lagartas cortadeiras; fungicida tratamento de semente
Crescimento vegetativo20–35 dias1.ª aplicação fungicida preventivo (mancozebe); monitorizar pulgões
Floração e frutificação35–55 dias2.ª fungicida; verificar ferrugem; controlar gorgulho (camalhões)
Enchimento das vagens55–80 dias3.ª fungicida se necessário; monitorizar pragas do solo
Maturação80–110 diasReduzir rega; preparar colheita atempada para evitar aflatoxina
Colheita e pós-colheitaApós 90–110 diasSecar rapidamente; armazenar em local seco e arejado

💡 Regra de ouro do controlo fitossanitário do amendoim:

No amendoim, o controlo preventivo de doenças começa ANTES de ver os sintomas — não depois. A cercosporiose e a ferrugem avançam rapidamente em condições húmidas. A primeira aplicação de fungicida deve ser feita aos 30 a 35 dias após a emergência, independentemente de haver ou não sintomas visíveis. Esperar pelos sintomas significa sempre chegar tarde.

Para dados técnicos sobre pragas e doenças do amendoim em África, consulte o ICRISAT — Centro Internacional de Pesquisa sobre Culturas das Zonas Tropicais Semi-Áridas e o Portal de Controlo Integrado de Pragas da FAO.

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Perguntas Frequentes sobre Pragas e Doenças do Amendoim

Qual é a doença mais perigosa do amendoim em Moçambique?

A aflatoxina — produzida pelo fungo Aspergillus flavus — é o risco mais grave porque não é visível a olho nu, contamina silenciosamente o produto e pode causar rejeição total da colheita nos mercados de exportação e danos à saúde. 

Entre as doenças foliares, a cercosporiose tardia é a mais destrutiva — pode causar desfolha de 50 a 80% das plantas em condições húmidas, reduzindo drasticamente a produção de vagens.

Como prevenir a cercosporiose no amendoim?

A prevenção da cercosporiose no amendoim baseia-se em três práticas: usar variedades resistentes como a Tatu; iniciar as aplicações de fungicida preventivo (mancozebe) aos 30 a 35 dias após a emergência, antes de aparecerem os primeiros sintomas; e fazer rotação de culturas — nunca plantar amendoim no mesmo campo 2 anos consecutivos. 

Em épocas muito húmidas, aplicar fungicida a cada 10 a 14 dias.

O gorgulho do amendoim tem cura depois de atacar as vagens?

Não — uma vez que o gorgulho (Cylas formicarius) penetra nas vagens e deposita os ovos, não existe tratamento eficaz para eliminar as larvas no interior. 

A prevenção é a única estratégia eficaz: fazer camalhões altos (20 a 25 cm) para dificultar o acesso às vagens, colher no momento certo sem atrasar, e fazer rotação de culturas. Após a colheita, armazenar em sacos herméticos para evitar re-infestação.

Posso controlar pragas e doenças do amendoim sem pesticidas?

Sim — o controlo cultural e biológico pode controlar a maioria dos problemas sem pesticidas: variedades resistentes reduzem a pressão de doenças fúngicas; Bacillus thuringiensis (Bt) controla lagartas; rotação de culturas quebra ciclos de pragas do solo; e colheita atempada com secagem rápida previne a aflatoxina. 

Para produções comerciais com alta pressão de doenças, a combinação de controlo cultural com fungicidas selectivos é a estratégia mais eficiente.

Que fungicida usar na ferrugem do amendoim?

Para a ferrugem do amendoim, os fungicidas mais eficazes são os triazóis sistémicos — tebuconazol, propiconazol ou difenoconazol. Agem de dentro da planta, curando infecções já estabelecidas e protegendo o crescimento novo. 

Para uso preventivo, o mancozebe é eficaz e mais económico. Alternar as classes de fungicida (triazol e mancozebe) em cada aplicação evita o desenvolvimento de resistência pelo fungo.

 

Conclusão: Controlar Pragas e Doenças do Amendoim Salva a sua Colheita

As pragas e doenças do amendoim são gerenciáveis — mas exigem atenção constante e acção preventiva. O produtor que monitoriza a machamba semanalmente, aplica fungicida preventivo a partir dos 30 dias e colhe no momento certo protege 80 a 95% da sua produção com custo relativamente baixo.

A aflatoxina é o único problema sem solução após a colheita — por isso a prevenção na colheita e na secagem é absolutamente crítica. Não existe segunda oportunidade depois de o produto ser contaminado.

Tem dúvidas sobre uma praga ou doença específica na sua machamba de amendoim? Descreva os sintomas nos comentários e ajudamos a identificar e a encontrar a solução certa.

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